02 novembro 2010

ESTILHAÇO



A noite soprava gelada


-Tinha que ser abaixo de zero-


O sopro do vento escuro,


O gemido por detrás do muro


Alto e denso do nada.


A noite gemia aguada


Tinha que ser assim líquida


A pele da lua límpida


Branca e alva, lívida


Sempre ali e tão perdida:


A minha voz na noite molhada


Na noite escura, encharcada


Falava-te língua de lágrimas


Feitas cristal, feitas no gelo

Vidro soprado do frio da alma


Falava-te no reflexo do granizo


Pingando no vazio - quase estilhaço-


Buscando-te para se derreter


Para se desfazer no teu regaço.

3 comentários:

Maria disse...

O vento rugia na noite
O medo surgia como açoite
da madrugada por chegar
O vento gemia na cama
O medo eterno de quem ama
no dia a despontar
O vento por fim calou
O medo então acabou
Na tarde que desfalecia
Os teus braços eram os meus braços
Nós dois adormecendo em sargaços
Na noite que então surgia.

Beijo, G.
(deu-me práqui...)

G... disse...

E deu-te tão bem, Maria!
Que bem souberam, as tuas palavras!
Beijo

Vieira Calado disse...

Olá, boa noite!

Creio ser esta a minha 1ªvisita.

Gostei do seu blog.

Saudações poéticas