20 agosto 2010

A SOMBRA DO REDEMOINHO



A sombra do redemoinho
Chegou-se e ficou de mansinho
Na rua onde gasto os passos
E onde escondo os abraços
Nas juntas que separam a calçada
No negro que pinta a estrada
E deixou-te ficar sozinho
Mesmo ao lado do caminho.

Redemoinhas nas sombras
Enrolado ergues-te e tombas
Mãos estendidas em pedido
No vento que te leva perdido
Corpo tenso, corpo crispado
Olhar quase vazio, assustado
Pensa que quando me abraças
E o vento acalma, tu descansas

Dá um passo meio ao lado
Das linhas do teu passado
Rompe o vento em furacão
Grita bem fundo um «não»
Acende as sombras que giram
Não vês que elas te admiram?
Tens o caminho traçado
À espera de ser palmilhado.

3 comentários:

A.S. disse...

Há sombras que esperam ansiosas um rasgão de luz!...

BjO´ss
AL

G... disse...

A.S.: Muito ansiosas! Com todas as sombras.
Beijo

Nilson Barcelli disse...

Saber viver, também é saber transformar as sombras em luz.
Gostei do teu poema, querida amiga Goreti.
Boa semana. Um beijo.