21 fevereiro 2010

MADRUGADA

Acorda-me de mansinho, com salpicos de beijos.

Não te vás com a madrugada. Fica e deixa-me ficar enroscada neste odor de beijos trocados. Deixa-a, a mão dada. Que seja minha pelo fim da noite, que me afague o rosto enquanto fizer a torrada, que me enlace e me estreite num abraço durante um pequeno-almoço preguiçoso.

Deixa-a largada na curva da minha cintura, enquanto dormes e me embalas na música do teu respirar. Sinto-te o pulso, agora calmo, na minha pele, agora seca. O tempo já vem, deixa-o andar! Se pensares bem – ou se não pensares – o que desejas é deixar-te estar. Mesmo sem beijos para trocar, já sem segredos para revelar… Fica comigo, só por ficar.

Pela janela, vê-se o luar – é mais belo ainda ver o Sol raiar!

Não te vás antes de o suor secar. Vela em silêncio pelo meu sonhar, sorrindo só por relembrar. Levanta o lençol, devagarinho. Contempla-me: toda desalinho, toda despojos do teu amar. Acaricia-me, só a pensar, com medo de me acordar. Encontra espaço, vem-te deitar, que não são horas de abalar.

A luz do dia – quero cegar – queima a ilusão, faz-me chorar!

Estendo a mão, a despertar. Quero-te ali, para te tocar e com um abraço recomeçar. Imagino-me com a tua camisa branca, puro cliché, em frente à cama, para te acordar, café na mão, a fumegar. Para partilhar. Deixaste a toalha de banho fora do lugar.

Beijas-me hoje com estilhaços de ontem. A madrugada soube-te encontrar.

8 comentários:

AnaMar (pseudónimo) disse...

Que belo tropeçar neste espaço de palavras tão belas...que a net não leva, mas traz.

cristal disse...

E lá voltei a recuar no tempo e a lembrar-me desta canção: "Eu só quero" de Gabriela Shaaf (velhos tempos eu e a prima S...a cantarmos isto)

"Abre-me a porta
Apaga-me a luz
Preciso falar-te agora
de nós a sós
Abre-me os olhos
Arde-me a pressa
preciso guardar-te agora
tão fora de nós

Abre-me a cama
Arde-me um beijo
Quero voar em nós
Soltar a voz que há dentro de nós

Eu só quero o teu braço que me abraça
Eu só quero o teu beijo que me afoga
Eu só quero o teu corpo que me enlaça
Eu só quero o teu fogo que me afaga

Eu só quero o teu livro que me ensina
Eu só quero o teu jeito que me ajeita
Eu só quero o teu ar que me fascina
Eu só quero o teu gozo que me enfeita

Arde-me o sono
Arde-me o sonho
Preciso morar em ti
Demora em mim

Abre-me um dia
Arde-me a fome
Quero voltar aqui
Soltar assim o que há dentro de mim

Eu só quero o teu braço que me abraça
Eu só quero o teu beijo que me afoga
Eu só quero o teu corpo que me enlaça
Eu só quero o teu fogo que me afaga

Eu só quero o teu livro que me ensina
Eu só quero o teu jeito que me ajeita
Eu só quero o teu ar que me fascina
Eu só quero o teu gozo que me enfeita.."

Não nego a nostalgia,a emoção, nem as lágrimas teimosas que hoje não me têm dado tréguas...

Beijinho grande amiga

G... disse...

:-) sem palavras - e nada mais!
Só beijos, muitos, para te aquecerem os sonhos!

Filó disse...

Que belo acordar nesta madrugada !

Beijinhos

OUTONO disse...

Um mar de letras...omde a maresia das ondas...perfuma uma leitura...sedenta.

Continuarei a aportar por aqui???

G... disse...

FILÓ, minha doce Filó...
Guarda esta na memória - se te tocou. Carrega-lhe no «play» em madrugadas de insónia ou angústia. E deixa que ela te embale.
Grande, grande beijinho. Doce, como tu!

G... disse...

OUTONO, de folha perene, cujas palavras abraçam imagens e me encontram espaço onde se aninhar... Pois.... que este mar de letras feito, ora calmo, ora alteroso, te atraia sempre. Para saciar a sede em água salgada de lágrimas ou na ternura das emoções bonitas que vou pedindo emprestadas. Seja porque a água salgada não mata sede ou porque a curiosidade é sede mais premente... espero. Que as palavras não percam força e encanto. Para se te oferecerem sempre como «bom porto».

Anônimo disse...

Il semble que vous soyez un expert dans ce domaine, vos remarques sont tres interessantes, merci.

- Daniel