01 maio 2010

MÃE


 
Eu sei
Que já é só meu o teu respirar.
Eu sei
Que vês as lágrimas que evito chorar.
Eu sei
Que sentes em mim palavras por soltar.
Eu sei
É hora de adeus, de não mais acordar.

Do fundo dos teus gritos
Foram dois, foram dois!
Entregaste-me a tua alma:
Tanta calma, tanta calma….

Eu sei
Que gritas o meu nome em nome do amor.
Eu sei
Das marcas no teu corpo de meses de dor.
Eu sei
Que aceitas este fim sem medo, sem temor.
Eu sei
Que vou saber a saudade toda – toda – de cor.
Do fundo dos teus olhos,
Fechados – já estão fechados-
Entregaste-me a tua alma:
Tanta calma, tanta calma...

Tu sabes
Que carregar-te comigo não faz desvanecer,
Que sentir-te na sombra não faz encolher
Nos meus olhos a esperança de olhar e ver
O teu sorriso de mim, que não sei esquecer.

Mãe:
Os teus gritos, derradeiros, são agora meus.
E chamam por ti!

01 de Maio 2010

5 comentários:

Filó disse...

Um GRITO de alma que ela concerteza ouvirá...muito bonito e comovente.

Beijinho Amigo

OUTONO disse...

...a minha já partiu...hoje na saudade de ontem...no desejo de amanhã...tenho sempre o melhor florir para o seu sorrir.
Bonito "interior" ...o teu.

Beijinho

Anabela disse...

E talvez apenas a dor tenha perdido
que a ideia da mãe é eterna no amor da filha
Um beijo

mariam disse...

G...

Sentida e belíssima esta tua homenagem, que li com emoção.

dou-te um abracinho
e um beijo amigo :)
mariam

G... disse...

Amigos: a todos, OBRIGADA do fundo de um coração que hoje bate ao meio.
Beijinho