19 abril 2010

PRIMAVERA QUE NÃO É


Eis-me de pé
Nesta Primavera que não é
Segurando a andorinha
Que por morrer não a acabou
Que morrendo
Não a deixa começar
Eis-me de pé
A chuva em lágrimas caindo
Sobre a tristeza entranhada
Que não pode ser lavada
Que morrendo
Não a deixa apagar.
Eis-me de pé.
Fintando, do Sol, o brilho
Que me ofusca em profundidade
Mesmo banhando-me a superfície
Que me afogo
Em SAUDADE.



20 abril 2010

8 comentários:

Maria disse...

A Primavera vai chegar, a sério.
As gaivotas já aqui estão, lindíssimas!

Beijo...

PÉTALA disse...

Ai a saudade
Destrói qualquer Primavera
Por mais que as andorinhas povoem o imaginário
*****
Aroma de
PÉTALA

G... disse...

Maria:
A Primavera pode chegar, mas há flores que não mais fará florescer. E sobre a falta delas cai chuva em lágrimas. Na qual me banho, em pé, para não me derramar no chão, em agonia.
E às gaivotas, que por aqui andam, peço que voem alto e escrevam a palavra saudade, para que as almas a leiam....
Beijinho
E Obrigada....
G...

G... disse...

Pétala:
A saudade... Esta saudade é... perpétua, com ou sem andorinhas.
E veio com a Primavera, como elas....
Obrigada!
G...

ParadoXos disse...

"Eis-me de pé" para te aplaudir poeticamente as palavras que são tão tuas!


um beijo fundo do


Heduardo

G... disse...

Eis-me derretida - no chão - com estas palavras - tuas!

Amanhã ou depois recomponho-me...


Um beijo de estrelas da

G...

Lídia Borges disse...

Sim, a Primavera não pode ter a ver somente com o calendário. A Primavera tem de florir dentro de nós para SER.

L.B.

G... disse...

Lídia: nas minhas estações há um tronco indestrutível que, contudo, já não floresce.
Esse dói-me sempre quando as primeiras flores despontam e gritam SAUDADE nos pólenes que libertam.
Beijinho